20 junho, 2018

Torres Vedras - Araraquara IV


Após uma semana intensa de workshops de Sol a Sol, desenhei muito pouco mas irei revelar num futuro post alguns dos apontamentos que fui fazendo durante esses dias. Após todo esse cansaço (do bom) chega o esperado Fim de Semana e a  continuação do Encontro de Desenho do USk Araraquara. Sábado de manhã, voltámos a acordar cedo para desta feita rumar à Casa do Pinhal, a fazenda onde o André esteve em residencia artistica durante to da a semana. Apesar de ser Outono a caminho do Inverno, o Sol queimava e 28º é a temperatura que Portugal queria ter tido em Maio... 
A Fazenda é um lugar mágico onde cada recanto merece ser desenhado, sendo que não me vou alongar neste assunto que o André tão bem relatou nos seus posts. Após a sessão de desenhos, eu vou descrever o que não consegui desenhar, o Brunch! Foi sem dúvida um dos melhores que já tomei, dada a qualidade da comida e o fantástico cenário. Não desenhei porque a comida estava óptima e enquanto há comida, não há desenhos ;) 


Depois de voltarmos à cidade, eu, o António e a Cátia (os únicos Portugueses resistentes em Araraquara) aceitámos o convite dos nossos amigos Araraquarenses e fomos até ao Açaizeiro para comer uma taça gigante de Açai com uma vista fantástica para a rua amarelada pelo por do sol. As cores do por-do-sol em Araraquara são como as de Torres Vedras x 10. Os amarelos e as sombras púrpuras são lindas de morrer e não, eu não consegui colocar isso no papel. Como diz o António, se vamos lutar contra a Natureza, perdemos sempre...


Depois fomos até ao espaço Acarajé com Arte para uma sessão de Drink and Draw, onde comemos Acarajé, uma espécie de salgado oriundo da Bahia regadas com uma das melhores cervejas Brasileiras, a Original. O espaço era exterior e sem iluminação, perfeito para desenhos rápidos sem cor, o desenho pelo desenho apenas, enquanto conversávamos e ouvíamos a música ao vivo. 

Para terminar a noite e porque no dia seguinte íamos acordar bem cedo para o Encontro de Desenho, fomos com os nossos amigos para a Casa Bersanetti, o bar muito castiço na mesma rua do Açai. Petiscámos e bebemos à brasileira devidamente instruídos pelos locais, numa divertida saída pela noite de Araraquara, que seria a última antes de rumar a Lisboa...

Continua...

14 junho, 2018

Torres Vedras - Araraquara III

Depois da manhã passada no Assentamento da Bela Vista, era altura de regressar a cidade pelo mesmo caminho cheio de altos e baixos que mais parecia uma ida às Berlengas em dia de tempestade. Ainda bem que não almoçamos antes porque caso contrário, o interior do "ônibus" não teria ficado muito bem de saúde, assim como os seus ocupantes... 
À tarde rumámos ao teatro municipal de Araraquara que estava em processo de restauro e como tal, interditado. No entanto, o seu exterior Neo Brutalista tinha todos os motivos para serem desenhados, de todos os ângulos e mais algum. Dei aqui um mini workshop de como simplificar as formas deste complexo conjunto a fim do nosso cérebro não "fritar" enquanto tentamos organizar o encadeamento do nosso desenho. 

Depois foi tempo de rumar ao Espaço Arte para o primeiro Drink and Draw do Encontro. Um espaço que é um armazém transformado em escola de Música com um ambiente meio Noir- Vintage bem convidativo para o Drink, Talk and Eat... 
 
O final de tarde/noite culminou numa actuação musical que foi uma espécie de Jam session de música tradicional brasileira (da boa, não aquelas "pimbalhadas" de novela barata) num ambiente bem intimista liderado pela Kris Pires na Guitarra e Voz.
 
No dia seguinte começavam os workshops da semana e eu até tive uma 2ª feira bem descansada onde apenas dei uma palestra para os professores locais em conjunto com a minha colega Olga Neves. Um ambiente bem descontraído onde falámos sobre o ensino em Portugal e os problemas que temos ao lidar com os alunos. Diferentes da realidade/escala brasileiras mas ainda assim, todos se mostraram surpreendidos por não serem os únicos a pensar que só ali é que existem problemas e carências na educação. Da parte da tarde, juntámos um pequeno grupo e fomos para a Praça Pedro Toledo desenhar numa divertida sessão liderada pelo António Bártolo que fez uma demo de aguarela para todos nós. Por entre o arvoredo, fios e telhados, a Igreja Matriz eleva-se dominante à medida que o sol descia (bem cedo, as 18h já era noite!) 

A noite fomos para o auditório da UNIARA ( Universidade de Araraquara) onde iria dar início à XXI semana da Arquitectura e do Urbanismo liderada pela Prof. Dra. Sálua Kairuz coordenadora do curso de Arquitectura e Urbanismo (à direita com o microfone). A palestra inicial foi a do André Baptista que na condição de arquitecto da Câmara Municipal de Torres Vedras e coordenador do projecto de recuperação da Encosta de São Vicente, foi falar dos desafios de como levar a cabo um projecto desta envergadura e a importância do desenho à mão como ferramenta de análise e projecto de todo este processo. As imagens de Torres Vedras que iam passando nos slides acentuavam ainda mais as minhas saudades de casa, que estava bem longe há quase 5 dias... 

12 junho, 2018

Torres Vedras - Araraquara II

 ...No dia seguinte bem cedo, apanhámos o "ônibus" até ao Assentamento da Bela Vista. O equivalente em Portugal a uma AUGI (Área Urbana de Génese Ilegal) mas no campo, iniciado pelos trabalhadores sem-terra das grandes culturas locais. É um povoado organizado dentro da sua aparente desorganização espacial e acima de tudo, é um local honesto que não tenta parecer algo que não é. A autenticidade e simplicidade do lugar e das suas gentes é nos presenteada assim que damos os primeiros passos na rua de terra batida e tom avermelhado. 

Depois de uma mini-palestra do André Baptista sobre o Lugar e o Património e como os podemos transportar para os nossos cadernos, foi tempo de fazer uma rápida visita pelo local e despojarmo-nos de preconceitos para o podermos desenhar em conformidade. Somos atraídos por uma ruína à distância que nos convida a desenhar e mais ainda porque a nossa anfitriã efectivamente nos convida a ouvir a grandiosa história daquele casarão que testemunhou glória, riqueza mas também pobreza, sofrimento e ausência de direitos. Já lavada em lágrimas (genuínas e comoventes), Silvani tocou no assunto mais discutível dependendo da nossa visão política: "normalmente as pessoas vêm cá para conhecer a história do poderoso dono das terras, a história da família e do casarão, dos negócios e da política e esquecem-se do essencial - os escravos e os sem-terra que muito sofreram nas mãos dos senhores"  Aqui, e deixo a ressalva de compreender a 100% as lágrimas sofridas da Silvani, não posso deixar de opinar com algum lado de direita que houve mérito numa pessoa que largou tudo e investiu o que tinha e não tinha para construir tudo aquilo e dar trabalho a outros... No fundo é tudo uma máquina que precisa de engrenagem e uns não podem viver sem os outros e vice-versa. Se há trabalhadores a lutar por melhores condições é porque primeiro surgiram postos de trabalho e isso também é louvável. 

A vista sobranceira para os campos de café que outrora presenciaram os abusos descritos acima não deixa de ser notável e só nos restava pensar no Poderoso Barão a observar os seus escravos e a dizer para o seu herdeiro: "Filho, um dia, tudo isso será seu..." Este desenho foi feito na companhia do António Bártolo que para além de ser prodigioso no seu talento, é um mentor fantástico que nos dá sempre uma dica ou outra que fazem realmente a diferença e tudo isso com grande generosidade. Juntamente com o Simon e o Nelson, estes dias iniciais foram  no mínimo hilariantes e mega descontraídos! 

Diz a lenda que este casarão está assombrado e isso tem atrasado a sua recuperação (para além do assombramento mais comum, a falta de fundos) e na verdade, quando tirei fotos desta perspectiva para acabar a cor mais tarde, reparei que a foto estava com uma anomalia de luz num dos cantos. A Silvani veio a confirmar que todas as fotos que se tiram deste casarão são invadidas pelo tal fantasma! Sim... tirei uma foto a um fantasma, mas não o desenhei que aqui so entra quem eu quero... 

Pouco antes do final do Encontro, pude desenhar no meio da rua uma vez que os carros eram poucos, (passaram dois por mim em 15 minutos de linhas) enquanto conversava com alguns moradores que iam passando por nós com a natural curiosidade de ver o que estávamos a fazer. As conversas passavam sempre pelos problemas do país e da localidade e o espanto das pessoas quando eu "ripostava" que em Portugal também temos alguns desses mesmos problemas. O ar surpreendido e algum descanso era comum a todos, por perceberem que não estavam sozinhos no mundo e que muitas mais pessoas (infelizmente) têm problemas semelhantes. Tudo isto com o sotaque Brasileiro porque se eu falasse em PT-PT ninguém percebia absolutamente nada... 

11 junho, 2018

Torres Vedras - Araraquara I


Em Novembro passado tinha recebido um convite especial do Lauro Monteiro, o de integrar uma comitiva Torriense para rumar até Araraquara, no estado de São Paulo, Brasil, a fim de continuar com a parceria político-cultural que tem juntado as duas cidades nos últimos 4 anos, na altura em que o Projecto Arte ao Centro quebrou fronteiras e navegou o Atlântico. Ás 8:00 de 17 de Maio, eu carregava um misto de emoções ao rumar para o Aeroporto Humberto Delgado. Se por um lado estava entusiasmado pela ideia de conhecer outro continente, outro país, uma cultura diferente e ir para um lugar longe da pressão turistica; Por outro estava nervoso e já com saudades de casa e da família. Iriam ser 12 longos dias sem a esposa e a filha e isso corroía-me por dentro à medida que o A330 da Azul se afastava de terras Lusas. Desenhei o que pude com a pouca vontade que tinha: O André ao meu lado fazia o mesmo com um semblante carregado e cansado tal como eu estava; A Olga ao meu lado fazia o que eu gostaria de ter feito, dormir que nem uma pedra; A Cátia explorava o que o seu telefone lhe permitia em "Flight Mode"... 


Após um combinado de 18 horas de viagem, só deu tempo para comer uma sopa e ir directo para minha cama na minha morada dos próximos tempos: Araraquara. No dia seguinte, após montarmos a exposição dos artistas de Torres Vedras na Casa da Cultura, eu, o António Bartolo, o Simon Taylor (Curitiba) e o Nelson Polzim (Rio) fomos para a Praça da Matriz para fazer uns riscos. O que me espanta nesta cidade tal como em muitas cidades Brasileiras, são os cabos de electricidade/telecomunicações, com uma espessura de "fiamento" que por vezes ultrapassava 1 metro! As sombras que toda aquela parafernália projectava nos edifícios no final de tarde, era qualquer coisa de fantástica e isso era algo que eu teria de desenhar.  


A Igreja Matriz surge na praça, pelo meio de uma mini Selva Urbana e quase que fora de escala, pois a sua dimensão VS largura da Praça são do mais desproporcional que já vi. Claramente uma construção nova sobre uma pré existência que tal como se faz em Portugal, deita abaixo edifícios icónicos lindíssimos para dar origem a elementos de gosto enfim, duvidoso... Ainda assim, uma imponência destas tornada ex-libris da cidade, era algo que não poderia faltar no meu caderno. 


No dia seguinte acordámos bem cedo para o inicio do Encontro de Desenho de Rua (acho esta expressão nacional bem mais elegante) onde os participantes iriam fazer "croquis" do Parque do Pinheirinho, bem longe da confusão da cidade. Fomos baptizados (mesmo...) por uma tempestade tropical, com uma chuva vinda de umas nuvens como eu nunca tinha visto antes, pelo que tivemos de nos abrigar para ver o Mestre António Bartolo em acção na sua primeira demo/workshop. A água caia com uma força desmesurada que nem o abrigo chagava para nos proteger devidamente. A areia em torno do lago depressa virou terra cada vez mais encarniçada que volta e meia reflectia o céu branco e cinza. 



À primeira aberta, fugimos para a capela mas nem assim conseguimos escapar ao frio e algumas gotas de água que insistiam em cair sobre todos. Desenhei aqui o que era possível ver, o arvoredo e algum mobiliário urbano na distância. 


Depois de almoço e quando a chuva deu tréguas, fomos até a belíssima fazenda do Salto Grande onde orientei um rápido workshop/encontro de desenho demonstrando a técnica que costumo usar de poucas cores e altos contrastes. Aqui desenhei um dos casarões que outrora hospedava barões de café e hoje hospeda os milionários que estão dispostos a pagar milhares de Reais por dia. 

Continua... 

12 março, 2018

Um ano depois...


Um ano depois do falecimento precoce do meu tio, a sua presença na nossa casa e em todos os eventos familiares ainda é fortemente presente e deixa muitas saudades. Uma pessoa de carácter forte, marcante, que se fazia sentir em quaisquer circunstâncias deixa um grande vazio nas vidas que tocou. Hoje em dia a dor não é tanta e a vida segue o seu rumo normal, mas no fundo ainda custa acreditar que ele partiu...


Para celebrar a ocasião a família tem de fazer aquilo que ele mais gostava que é um grande ajuntamento no Casal do Facho que sucedeu esta ida à missa do Varatojo que alguns de nós precisam por acreditarem que ele está neste momento num local melhor. Esta lindíssima Igreja fica inserida no Convento do Varatojo que está ao serviço da Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos. A missa for presidida pelo Pe. Vitor Melícias (que ja tinha presidido a missa do 7º dia, um padre que o meu Tio adorava), um Franciscano que voltou à sua terra para fazer o que faz melhor e devo dizer que é um prazer ouvi-lo falar pois acrescenta sempre uma boa pitada de info útil não fazendo apenas as leituras monocórdicas que caracterizam a Eucaristia Dominical. É como ter uma espécie de Cristiano Ronaldo a terminar a carreira no seu clube de coração, o que confere a esta igreja, algo de ainda mais especial...

01 fevereiro, 2018

Serra da Estrela & Casegas

 No último fim de semana de Janeiro, juntei amigos e família e fomos até à Serra da Estrela para ver os miúdos divertirem-se na neve! Estava era um vento descomunal e o aparente Sol limpo cheio de Sol era uma armadilha que nos gelava qualquer parte do corpo que não tivesse roupa. Fiquem sem cara e sem mãos ao fazer este desenho... Os miúdos ficaram com tanto medo que tiveram de ir para o carro enquanto os adultos se iam revesando para fazer ski, sku, qualquer coisa que consistisse em escorregar pela neve e espalhar ao comprido no fim.

 Depois da brincadeira, fomos até à nossa estadia, numa casa já bem mais quente na aldeia de Casegas. Para chegar até lá, foi um filme, uma vez que fomos vítimas do GPS que supostamente nos deu o caminho mais rápido... pois. Uma hora e meia e quinhentas e setenta e duas curvas depois, chegámos... completamente de rastos. Enquanto a totalidade da população estava na missa das 17h, nós passeávamos pelas ruas desertas e pitorescas deste sitio bucólico. A igreja invulgar foi parar ao meu caderno que retém também os cânticos da missa que se ouviam na perfeição no exterior.

No dia seguinte, antes de voltarmos para casa, deixámos os miudos gastar as últimas energias no parque infantil à beira rio, adornado por árvores, verdes, patos, gansos e uma bela ponte romana no fim do açude. Foi óptimo descobrir mais um pouco do nosso país, nesta região do interior que vou começar a explorar bem mais.

29 janeiro, 2018

Intervalos para almoço

 Conseguimos resgatar a "nossa" parte da esplanada que tinha sido tomada de assalto pelo Irish & Co. do Largo Duques de Cadaval. A quantidade de chapéus de esplanada neste local é de tal forma que  na parte onde nos costumávamos sentar, torna impossível qualquer vislumbre do sol,  que durante o Verão ainda se tolera, mas de Inverno, bem que sabe tomar o nosso café banhados de raios UV  em quantidades saudáveis.  

We manage to rescue our spot back from the grasp of Irish Co bar, in Largo Duques de Cadaval. The huge amount of shades was a nuisance, blocking our sun and view from the terrace we were allowed to sit. During Summer it's ok, but during cold Winters, we need UV rays with our coffee... 

 Há vários motivos para desenhar na parte de baixo da esplanada, especialmente porque temos uma amplitude de campo bem maior e os ditos chapéus de sol não bloqueiam a vista...

In the lowest spot of the terrace we have a larger field of view and no umbrellas blocking the view, so we can sketch whatever we can...

...e desta forma consegui vislumbrar uma vez mais o recorte dos telhados e águas furtadas , confortavelmente sentado numa cadeira, com os pés na guarda em frente e café na mesa, à esquerda. Apesar do frio, o Sol é tão intenso que as tonalidades quentes da cidade de Lisboa são uma constante, mesmo sem estarmos no calor tórrido de Verão.

...and so I managed to see once again the beautiful rooftops that surround this place, comfortably seated on a chair with coffee on the table. Even with low temperatures, the sun light is so intense that warm shadows are still present, even outside the warm seasons.

Apesar de ser uma coleção de desenhos de motivos que já desenhei vezes sem conta, a minha aproximação e sentido de descoberta é sempre novo, óptimo para aqueles dias que estou tão preguiçoso (quase todos...) que não me apetece andar nem sequer 20m para desenhar o que seja. 

Even though this is the same place, that I've drawn countless times, my approach is always new, providing me a fresh sketch every time, specially in those days that I'm to lazy to walk 20m to do a sketch.

Na parte de baixo, a esplanada é praticamente nossa, caso a ocupemos a uma hora "morta" claro. Depois de devidamente ocupada,  podemos falar e estar como bem nos apetecer,  dispondo as cadeiras e mesas a nosso bel-prazer e em várias ocasiões, esticar os pés de forma a ocupar aquela cadeira que ficou vaga porque um colega se levantou para voltar ao trabalho. Desde Star Wars, olhares enterrados em jogos de telemóvel e conversas sobre Bit coins e fundos de Investimento, tudo fica registado nestes cadernos... 

The lower tier of the terrace is basically ours, if we can manage to take it during "dead" hours of course. After that, we're home and we can arrange furniture, talk loud, do almost whatever we want. From Star Wars, to staring at the phone the whole time, Bit coin and investment funds, everything is record in my sketchbooks... 


22 janeiro, 2018

Desenho em Cadernos da Expo


Depois do António Procópio e do João Catarino, em Fevereiro serei eu a orientar o curso de Urban Sketching da Academia de Pintura dos Parque das Nações. Todos os Sábados de Fevereiro, entre as 10:30 e as 13:00, eu irei dar um curso detalhado de desenho em cadernos, começando num nivel fácil e explorando técnicas mais exigentes nas ultimas sessões. Irei desvendar todos os truques e toda a teoria que uso diariamente nos meus desenhos. Fica o convite para todos, experientes neste mundo do desenho ou não, não faltem ;)

 Inscrições e mais info aqui: https://carlosantosmarques.wixsite.com/academiaparquenacoes

15 dezembro, 2017

Portas do Sol by Night


No passado Workshop intitulado de Lisboa à noite, dado por mim e pelo Pedro Loureiro, um dos pontos principais que teríamos de explicar bem aos participantes, era o uso da cor e por onde começar a pintar uma vez que a informação de luz e sombra durante a noite é vasta e nem sempre linear. Fica aqui a minha demo, com narração do Pedro Loureiro que penso ter facilitado o trabalho de todos durante esta fase do desenho que era o verdadeiro desafio desta sessão.

 Last Workshop by me and Pedro Loureiro: Lisbon at Night, one of the main topics was to explain how to colour a night scene and mostly where and how to start doing it, since night time lighting conditions are never linear and shadow/light information is huge. This was my live demo, while Pedro Loureiro was commenting, so everyone could easily complete the task, the main challenge in this workshop. 

28 novembro, 2017

Lisboa à Noite - WORKSHOP


Eu e o meu colega sketcher, o talentoso Pedro Loureiro, no  seguimento do sucesso do nosso workshop nocturno em Torres Vedras, iremos trazer a mesma experiência à capital para um Workshop de desenho nocturno no centro histórico de Lisboa, no miradouro das Portas do Sol dia 9 de Dezembro (Sábado) pelas 17:00. Vamos captar a beleza nocturna da bela Lisboa nos nossos diários gráficos, partilhando técnicas, truques e experiências de como desenhar à noite. 

Mínimo 5 participantes - Máximo 20 participantes | Preço por pessoa:20€  (Associados USkP: 15€) Inscrições até 7/12 para mail: stillsketch.tvedras@gmail.com e/ou pedro.mac.loureiro@gmail.com

Esperamos por vós, até lá.

Para mais info e/ou preços, mail para stillsketch.tvedras@gmail.com (Pedro Alves) ou pedro.mac.loureiro@gmail.com (Pedro Loureiro)

Sketch by Pedro Loureiro

The Pedros, (Alves and Loureiro), after the success of their evening workshop in Torres Vedras, will bring the same experience to the capital, leading a night sketching workshop in the historical old town of Lisboa, at the Portas do Sol vantage point, on December 9th (Saturday) 5pm. We’re going to capture the evening beauty of the lovely Lisboa on our sketchbooks., sharing techniques, tricks of the trade and experiences of sketching in the night. 

 Minimum attendance 5 participants – Maximum attendance 20 participants | Price per person: 20€ (15€ for USkP Association members) | 

Registrations until December 7th to: stillsketch.tvedras@gmail.com and/or pedro.mac.loureiro@gmail.com 

 We’re looking forward to sketch with you.

21 novembro, 2017

Viagem à Madeira

Como é hábito há 7 anos, desde que me casei, chega ao fim de Outubro e vou para aquela escapadinha que tem o timing perfeito entre as férias de Verão e do Natal, ideal para recarregar baterias. Desta feita, rumei até à Madeira, que nunca tinha visitado, com o objectivo (traçado pela minha mulher) de fazer bastantes levadas, um must para quem visita esta ilha. 


Mal saí do avião, rumámos em direcção à Ponta de São Lourenço para esta caminhada de 8km em redor da bela escarpa recortada tão característica deste local. Fui fazendo uns rabiscos, quase em movimento que nem consigo chamar bem de desenhos, mas sim apontamentos. Ao rever estes apontamentos lembro bem que o ritmo da caminhada ainda era tão ou mais frenético que o traço...

Dos poucos e rápidos desenhos sentados que me permiti fazer, saiu este, já estoirado e quando ainda faltavam 200 metros para chegar ao final, final esse meio enganador que na verdade é o meio porque depois havia todo o caminho de volta para percorrer, debaixo de um calor abrasador ( e já quase sem água...).



...mas sobrevivemos. Depois de regressarmos ao carro (com um garrafão de água comprado previamente) rumámos até à Prainha onde única coisa que fiz foi tomar banho de água morna (no final de Outubro!) e descansar... Depois disto fizemos uma passagem rápida pelas casas de Santana e pouco mais num primeiro dia bem preenchido.

Estávamos alojados num pequeno apartamento bem no centro histórico do Funchal na Rua da Cadeia Velha que no fundo era uma rua para onde davam as traseiras dos edifícios das ruas mais movimentadas que a ladeavam. Ali meio protegido do reboliço urbano matinal, fiz este desenho da janela do nosso quarto/sala/cozinha com vista para o largo de pelourinho, ponto obrigatório de passagem para pegar no carro estacionado uns metros mais à frente.

Desta vez a levada escolhida foi a do Rabaçal/25 fontes e para lá chegar nada melhor que um Clio num caminho municipal mais íngreme que sei lá, com dois sentidos mas onde só passava um carro de cada vez. Depois desta descarga de stress que tenho sempre que me meto num carro por estes caminhos manhosos, nada melhor que andar a pé que é sem dúvida das coisas que mais adoro fazer.  Lá fomos para uma das levadas mais esperadas que nos recebeu com vacas a beber água directamente das nascentes e com mini lagoas como a que desenhei na esquerda. Ainda não tínhamos visto nada e já estava a ser incrível. 2 km depois chegávamos à Casa do Rabaçal que oferecia um pequeno refúgio e água a preços exorbitantes para os mais desesperados. Ao caminharmos mais um pouco, comentei que a Madeira era muito bonita mas que ainda não me tinha deixado verdadeiramente boquiaberto até que me deparo com a Cascata do Risco... e imediatamente retirei o que tinha dito! Depois de contemplar esta maravilha com todo o tempo do mundo, rumei ao ex-libris da levada, a queda das 25 fontes que é igualmente de cortar a respiração, mas desta feita sem bloco na mão porque o caminho tornara-se bem mais exigente. 

11km depois, com pernas a latejar por todo o lado, fomos até Porto Moniz para relaxar na praia mas ahh... Não havia praia, apenas piscinas naturais no meio das rochas. Confesso que aqui fiquei meio desapontado, esperava um pouco mais de abertura na paisagem para que eu conseguisse ver mais água e menos rochas. O excesso recorte do rochedo permitia muitos locais de esconderijo, usado por putos estúpidos nativos que tinham tirado o dia para a parvoíce e eu já não tenho paciência para tal e como tal, fiquei a guardar os meus pertences que eu sentia que se os largasse, eles voavam...

No dia seguinte fomos novamente até ao monte da cidade do Funchal para visitar um dos jardins, em que o eleito foi o Jardim Tropical do Berardo. Ficamos impressionados logo ao inicio com a beleza do local mas rapidamente apercebemo-nos que aquilo é tudo falso e nada foi colocado ao acaso. As partes mais interessantes são sem dúvida as que nos remetem para os tempos do Japão feudal onde ainda conseguimos sentir alguma sensação de paz... até que o próximo grupo de turistas entra para mais uma série de fotos que no fim, ninguém vê...

No final da manhã, fomos até Câmara de Lobos onde fiquei menos tempo que eu gostaria. O lugar é muito intimista e tem uma relação fantástica com o mar e com as suas gentes. Sentado na esplanada do Nº2 enquanto comia um prego em bolo do caco, desfrutei um pouco do quotidiano das pessoas que envolve como seria de esperar, a pesca.

No final da tarde fomos até à Ribeira Brava já em modo ultra cansados, com os pés todos doridos mas ainda assim lá fomos para a praia de calhaus, para um banho tardio. Curiosamente os calhaus estavam apenas na zona onde nós costumamos ter areia porque ali, a areia propriamente dita estava onde começava a água, o que tornou o banho bem agradável. A vila é um local bem simpático onde tudo revolve em torno desta Igreja Matriz, perfeitamente encaixada num cenário bem bucólico, com bananeiras a criar um pano de fundo bem verde, amarelado pelo Sol que já estava baixo.

No último dia eu já aparentava um cansaço que já se estendia para além do físico. Eu já estou numa fase em que quero coisas novas, mas por pouco tempo e neste último dia de viagem, as saudades de casa, da filha, do meu mundo, já apertavam e comecei então uma das minhas neuras que ninguém merece aturar, muito menos a minha mulher. Nestas neuras eu costumo por em causa tudo o que me rodeia, o meu lugar no mundo, o que faço, o que fiz e o que posso não vir a fazer...

Nem vontade de desenhar tinha, tudo era forçado... Acho que no fundo só queria sair dali e rumar a casa e ficar por lá, onde tudo me é familiar e confortável. O meu chip muda bruscamente entre ir à descoberta e ficar pela minha querida zona de conforto...
...o que acabou por acontecer neste tão esperado regresso a casa. Por muito belo e cativante que seja o local que visito, nada bate a sensação que tenho quando as rodas do avião tocam no solo do aeroporto de Lisboa. É sinal de que estou de volta e a apenas 40km de casa. O desenho mais gostei de fazer foi este, não pelo resultado final mas pelo sentimento que ele carregava na altura...