09 agosto, 2018

Simpósio Porto III


Sábado era o último dia do Simpósio mas para mim ainda havia trabalho a fazer com um último workshop logo pela manhã. Desta feita, mudei o local para o local original escolhido pela Virgínia, o Jardim da Cordoaria, um pouco mais acima das Virtudes, para não coincidir com o Sketchwalk também à mesma hora. Acabei com nota alta com mais um grupo espectacular! Ainda deu para fazer esta demo para um aluno que chegou mais tarde (obrigado ao Marco Costa que o levou até mim ;)  Como o grande amigo Marcelo de Deus estava por ali, convidei-o também a assistir e terminava aqui a minha odisseia de workshops. 

Saturday, the last day of this Symposium but for me, there was still work to do with a workshop session early in the morning. Instead of Passeio das Virtudes, I changed the place to Jardim da Cordoaria to avoid a Sketchwalk in the previous location. Another fantastic group for a perfect ending in my workshop odyssey...    



Depois de almoço nas Virtudes, descemos até aos Aliados onde iria acontecer o último Sketchwalk global com todos os participantes. Enquanto falava com o grande Eduardo Bajzek, eu e o Pedro Loureiro íamos fazendo um desenho como nunca se deve fazer... à torreira do Sol! Um escaldão no pescoço depois e lá fomos para junto do edifício da Câmara para a foto final de grupo. 

After lunch we went down to Aliados Av. where the final Sketchwalk was being held with all the participants. In the crowded streets, while I was talking with the great Eduardo Bajzek, me and Pedro were sketching fast like no one should do... Under de boiling sun! A sunburn in the neck later and we went near the Town Hall for the final group photo.  


Mas antes, ainda deu para um desenho rápido da icónica torre que normalmente (poucas vezes ultimamente) só testemunha vitórias do FC Porto... 

But there was still time for a sketch of this iconic tower that only witness victories from FC Porto in the domestic league. 


Depois da foto e antes da cerimónia final, eu, o Pedro Loureiro e a amiga Carina Tornkvist (e mais uns sketchers que eu não me lembro ) ainda nos sentámos na Praça de Lisboa no meio da relva para um desenho rápido enquanto descansávamos  da subida e do Sol que se fazia sentir nesta altura. 

After the famous foto and before the ending cerimony, me, Pedro Loureiro and other sketcher friends, rested on the grass of Praça Lisboa for 10 minutes, and we made another sketch. 


Depois da cerimónia de encerramento e de sabermos que o próximo simpósio será em Amesterdão, fomos jantar e voltámos à Ribeira para a ultima sessão de night sketching. Já estava tão cansado que os meus planos iniciais de fazer uma panorâmica 100% colorida, rapidamente se esfumaram e fiquei-me pelo Pestana Hotel. Mas isto ainda não estava acabado...

After the cerimony and knowing thet the next symposium will be held in Amsterdam, we went back to Ribeira for the last Night Sketching Session. I was so tired that my initial plans of making a fully coloured panorama went down the drain and only did the area surrounding the Pestana Hotel. But the symposium was not over yet...

07 agosto, 2018

Simpósio Porto II

A sexta feira foi o dia mais longo, com workshops de manhã e à tarde e com apenas 4 horas de sono, estava receoso para com os meus "alunos" e com algum medo de não corresponder às expectativas porque no fundo, todos eles se inscreveram no workshop da Virginia Hein, não no meu... Trepámos as colinas do Porto até ao Passeio das Virtudes e comecei a minha odisseia de workshops. Depois de muitos pedidos de desculpa em nome do povo português por construir cidades em sítios escabrosos, 10 minutos volvidos e já todos nos sentíamos em casa. Após a minha demo, o grupo foi fantástico e respondeu de uma forma exemplar aos exercícios propostos. 

Friday was the longest day with workshops from dusk to dawn and with only 4 hour sleep, I was a bit afraid for my "students" to be somewhat disappointed if somehow I fail to meet their expectations. They were registered in Virginia's workshop after all, not mine... 10 minutes into it and we're all feeling at home. After my demo, all participants did a fantastic job, and executed all exercises brilliantly!  


À tarde, mais do mesmo... Mais um grupo fenomenal e uma tarde muito divertida e bem passada a desenhar (eu a andar de um lado para o outro feito louco). Achei interessante publicar ambos os resultados da minha demo para verem como a mudança da luz altera um desenho do mesmo local, quase por completo. De repente a fachada que outrora estava com a luz total, perde força e detalhe quando se encontra à sombra. 

In the afternoon period, more of the same... Another fantastic group and a very laid back and funny sketching session. I thought it was most interesting to publish both sketches from the same place so we can see how light can drastically change a drawing. The facade that once was in full light, looses detail and character in the shade.  


Às 18:30 eu estava exausto, parecia que tinha sido atropelado por um camião, à medida que descia lentamente a encosta em direcção à Alfândega. Ao chegar à cota zero, alguns "vadios" estavam na esplanada logo ali ao lado a desenhar, conversar e beber. Para eles, as sessões de "Drink and Draw" duravam o dia todo e esta sessão ainda estava a meio ;) Bebi um "fino" de "pênalti" (Obrigado Bruno Vieira!!!) e outro logo a seguir para saborear com mais calma... Depois disto foi tempo de rumar a Ribeira para mais copos que duraram a noite toda...

Around 6:30 pm I was exhausted, it seemed I was run over by a truck as I was crawling all the way down towards Alfândega. When I arrived ground zero, some "wanderers" were sketching/talking/drinking in the street cafe next door so I gladly joined them to do the same. For them drink and draw sessions lasted all day long, and this one was still far from being over... 

Simpósio Porto I

Cheguei ao Porto já bem mais tarde que o previsto mas ainda a tempo de saborear tudo e mais alguma coisa do que estava para vir. Depois do check in na Alfândega e de ver que o meu local para a Demo ficava no topo de uma subida tramada, fui testar o local compatível mais plano possível. 

I arrived Porto much later than expected but still on time to savor everything this Symposium had to offer. After checking in at our HQ in Alfândega, I just saw that the spot for my demo was way up the hill so I quickly went to test something in a more accessible spot.


...e ficámos as 17h em ponto no Jardim da Praça do Infante, junto ao mercado onde iria explicar em que consistia o meu workshop "Frame your Sketch" usando apenas duas ou três cores. À medida que desenhava, explicava tudo e mais alguma coisa para quem me assistia, desde os materiais que uso, os erros que dei neste desenho, como conviver com eles e acima de tudo, como eu me divirto enquanto desenho. Aproveito para deixar um abraço ao Tomás que assistiu à minha demo e fez um belíssimo desenho enquanto eu falava pelos cotovelos, vejam AQUI

...and at 5pm we were at Praça do Infante, next to the market, for my Demo, where I was about to explain everything about my proposal and how I usually work, from materials, colours, techniques and errors and how to deal with them, but most of all, the most important rule: have fun while sketching. 
A demo que deveria ser de uma hora, demorou duas porque eu não me calava e as pessoas foram ficando numa espécie de tertúlia improvisada na hora sobre a melhor coisa do mundo: desenhar! Já na Ribeira, depois de ver o máximo número possível de amigos sketchers, sentei-me na esplanada onde estavam os "vadios", os nossos amigos desenhadores que também não falham o Encontro de Torres Vedras por nada. Enquanto os "finos" iam surgindo na mesa como que por magia, íamos desenhando qualquer coisa e este por do Sol sobre Gaia era fantástico para o efeito... 

The demo that should last one hour, took me two because I kept talking and talking and the fantastic group kept asking me questions that turned this demo into a nice talk about the best thing in the world: Drawing! Later in Ribeira Square after meeting the max amount of sketchers I could, time to be among the "wanderers" my sketching friends that don´t miss the annual sketching meeting in Torres Vedras for nothing. Beers kept coming and disapearing in front of me like magic while the sun was slowly setting over Vila Nova de Gaia, perfect for a sketch! 


 Várias cervejas e tostas mistas depois, orientámos num instante um encontro de desenho nocturno, em torno do Rio Douro e uma ponte muito mal iluminada para meu desprazer... Ainda assim, adorei todo o entorno da Serra do Pilar e aquele batel que atracou perto de nós com dois potentes holofotes que reflectiam na água negra cheia de personalidade. Mais cerveja menos cerveja, foi tempo de ir dormir... O dia seguinte iria ser repleto de workshops para dar...

Several beers and sandwiches later, we set up a flash sketch outing of Night Sketching on the riverfront to a poorly illuminated bridge... Still, I loved all the surroundings of Serra do Pilar monastery and that boat with two powerful spotlights that blinded us, reflecting it's light on the dark water, full of personality. After that, time to get some sleep because next day was going to be quite long...  

01 agosto, 2018

Pré Simpósio Porto


A data do evento mais esperado do ano aproximava-se e duas semanas antes recebo a notícia que o Comité de Educação escolheu a minha proposta de workshop para substituir a Virginia Hein que infelizmente não podia vir até ao nosso país. Apesar do infortúnio, não pude deixar de estar em êxtase  e ao mesmo tempo pensar nos pobres desgraçados que iam deixar de  ter a "fofura" e "doçura" da Virginia para ficarem com o "homem rude do campo" que sou eu... Ainda assim, devorei a proposta de workshop da Virginia e adaptei a minha oficina ao máximo para não desapontar ninguém. Com o mote "Minimal colour: Maximum Punch" comecei a ensaiar estas propostas no caderno tal como se estivesse a fazer o workshop da Virginia e nasce assim o renovado "Frame your Sketch" que iria levar até ao Porto...

The most waited event of the year was coming fast and just two weeks before, the USk Educational Committee informs me that my workshop proposal was chosen to replace Virginia Hein that unfortunately couldn't come to Portugal. I read Virginia's proposal a thousand times before adapt mine, and under the motto: Minimal Colour: Maximum Punch, the renewed "Frame your Sketch" was born.


Entretanto, o meu amigo de Curitiba, o Simon Taylor chega a Lisboa antes de rumar ao Norte e tivemos oportunidade de por a conversa em dia e de recordar com saudades os nossos dias no Brasil em Araraquara. No final do almoço, um sketch rápido porque uma refeição de "desenhistas urbanos" não pode acabar sem a devida sobremesa. 

Meanwhile, my great friend from Curitiba, Brazil, the great Simon Taylor arrives in Lisbon and before his departure to the city of the moment, we had the chance to talk and remember our adventure in Araraquara, Brazil not too long ago. After lunch, time for a quick sketch in Praça da Figueira,  after all, a lunch between sketchers can't end without a proper dessert .  


E na manhã de 5a feira, já com um dia de atraso devido a compromissos profissionais, lá fui eu e o meu nervoso miudinho até à Gare do Oriente para apanhar o Alfa Pendular das 10h para a Campanhã. O meu Simpósio começara desta forma. O melhor, estava a 300km de distância e 3h de viagem...

Thursday morning, one day late due to my (real) job here in Lisbon, both me and my excitement were at 10 am sharp to catch the Alfa train to Campanhã Station. The best was yet to come, after 300km / 3h trip... 

03 julho, 2018

Carrasqueira, porto palafítico

Num fim de semana destes, quando ainda estava um tempo de Verão, fui mais a família até ao Carvalhal, para uma das minhas praias preferidas da Costa Alentejana. Numa breve passagem pelo Porto palafítico da Carrasqueira que é bem ali perto, deu para desenhar um pouco aquela pequena maravilha que se degrada a uma velocidade incrível... 

Já não ia ali há vários anos mas a magia do local continua intacta, apesar de ter muitas mais pessoas (turistas) que há 10 anos atrás. Gostaria de ter feito mais, mas com família é sempre mais complicado. Sai de lá muito satisfeito, e fui lanchar choco frito e umas gambas porque com tanto barco de pesca, eu e a mulher ficámos com desejo de petiscos oriundos do mar... 

25 junho, 2018

Torres Vedras - Araraquara V (FIM)


Dia 27 de Maio, pelas 8:00 voltámos à Fazenda do Salto Grande para terminar em nota alta o Encontro Internacional de Desenho de Rua. Uma vez que já tinha desenhado parte do património construído na passada semana, desta feita, eu e o António Bártolo quisemos registar o património  Natural que inclui um rio que passa mesmo no centro do local e que contém uma cascata que dá o nome ao mesmo, Salto Grande. Depois disso foi tempo de descansar porque no dia seguinte esperava-me uma viagem de 10 horas de avião + 3 horas de carro até ao aeroporto. 
Nesse longo intervalo de tempo, foi mais que suficiente para terminar alguns desenhos, revisitar outros anteriores e chegar a conclusão que já não iria voltar a ver as pessoas e os locais que foram a minha casa nos 12 dias que passaram. Se bem que a saudade de casa era bem mais forte, não pude deixar de ter aquela sensação estranha que a vida a que tão bem me acostumei, as pessoas maravilhosas que conheci, dificilmente as iria reencontrar tão cedo. 
  
Aqui, a minha primeira "oficina" em terras de Vera Cruz contou com um participante... Um, algo completamente inédito e que me marcou bastante, pois foi uma aula privada de desenho para o talentoso Marcelo Okama, professor de BD e Manga em várias escolas do Município. Fica aqui a minha demo e alguns apontamentos rápidos do que ia dizendo ao Marcelo. 

Aqui, uma aguarela da Igreja de Santa Cruz, que acabou por ser uma demo a tantos que passavam por mim e com curiosidade me perguntavam o que estava a fazer e assim que abria a boca, me perguntavam "você é de onde"?  Assim que respondia Portugal, muitos manifestavam o seu desejo de rumar para cá e outros nem sabiam onde era. Uma das pessoas que me abordou, foi um reporter da TV cultura Paulista, a quem dei o contacto do responsável do Grupo USk Araraquara, o Joel Venceslau. Três semanas volvidas, deu em entrevista para o programa cultural da tarde. 

Nesse mesmo dia, pela noite, o último workshop em Araraquara patrocinado pelo SESC que foi dado no Shopping Lupo, num cenário nocturno. 

Quando no altifalante anunciavam que o embarque para o AD8750 com destino a Lisboa, estava iminente, foi tempo de fazer o último registo desta viagem, o A330 da Azul que nos voltou a transportar de volta a Portugal. Estes dias passados no Brasil não foram apenas mais uma viagem mas sim uma experiência cultural muito enriquecedora que se não fosse a convite do artista Lauro Monteiro (baptizado de Embaixador desta conexão cultural) nunca teria a oportunidade de experienciar... O meu muito obrigado à Câmara Municipal de Torres Vedras por nos possibilitar esta viagem; à Prefeitura de Araraquara e à cidade em geral e suas gentes que tão bem me receberam, sempre com um sorriso e alegria contagiantes; aos meus companheiros de viagem: André Baptista, António Bártolo, Olga Neves e Cátia Candeias pela camaradagem, troca de conhecimentos e o cimentar de amizades que irão perdurar certamente; ao USk Araraquara, ao Joel e Madu, pela amizade e coragem de divulgar o movimento USk num ambiente que ainda resiste bastante a esta prática; a Casa do Pinhal e ao Novo Hotel Municipal pela arte de bem receber;  à Daniele, Daniel, SESC e à UNIARA pelo apoio sempre presente; e a todos vós que foram acompanhando esta série de posts e que desta forma também viajaram comigo. Muito obrigado a todos! Por todas as razões já mencionadas, adorei toda esta experiência, espero que tenham gostado também. Até uma próxima Araraquara, decerto irá haver oportunidades para um regresso! 

20 junho, 2018

Torres Vedras - Araraquara IV


Após uma semana intensa de workshops de Sol a Sol, desenhei muito pouco mas irei revelar num futuro post alguns dos apontamentos que fui fazendo durante esses dias. Após todo esse cansaço (do bom) chega o esperado Fim de Semana e a  continuação do Encontro de Desenho do USk Araraquara. Sábado de manhã, voltámos a acordar cedo para desta feita rumar à Casa do Pinhal, a fazenda onde o André esteve em residencia artistica durante to da a semana. Apesar de ser Outono a caminho do Inverno, o Sol queimava e 28º é a temperatura que Portugal queria ter tido em Maio... 
A Fazenda é um lugar mágico onde cada recanto merece ser desenhado, sendo que não me vou alongar neste assunto que o André tão bem relatou nos seus posts. Após a sessão de desenhos, eu vou descrever o que não consegui desenhar, o Brunch! Foi sem dúvida um dos melhores que já tomei, dada a qualidade da comida e o fantástico cenário. Não desenhei porque a comida estava óptima e enquanto há comida, não há desenhos ;) 


Depois de voltarmos à cidade, eu, o António e a Cátia (os únicos Portugueses resistentes em Araraquara) aceitámos o convite dos nossos amigos Araraquarenses e fomos até ao Açaizeiro para comer uma taça gigante de Açai com uma vista fantástica para a rua amarelada pelo por do sol. As cores do por-do-sol em Araraquara são como as de Torres Vedras x 10. Os amarelos e as sombras púrpuras são lindas de morrer e não, eu não consegui colocar isso no papel. Como diz o António, se vamos lutar contra a Natureza, perdemos sempre...


Depois fomos até ao espaço Acarajé com Arte para uma sessão de Drink and Draw, onde comemos Acarajé, uma espécie de salgado oriundo da Bahia regadas com uma das melhores cervejas Brasileiras, a Original. O espaço era exterior e sem iluminação, perfeito para desenhos rápidos sem cor, o desenho pelo desenho apenas, enquanto conversávamos e ouvíamos a música ao vivo. 

Para terminar a noite e porque no dia seguinte íamos acordar bem cedo para o Encontro de Desenho, fomos com os nossos amigos para a Casa Bersanetti, o bar muito castiço na mesma rua do Açai. Petiscámos e bebemos à brasileira devidamente instruídos pelos locais, numa divertida saída pela noite de Araraquara, que seria a última antes de rumar a Lisboa...

Continua...

14 junho, 2018

Torres Vedras - Araraquara III

Depois da manhã passada no Assentamento da Bela Vista, era altura de regressar a cidade pelo mesmo caminho cheio de altos e baixos que mais parecia uma ida às Berlengas em dia de tempestade. Ainda bem que não almoçamos antes porque caso contrário, o interior do "ônibus" não teria ficado muito bem de saúde, assim como os seus ocupantes... 
À tarde rumámos ao teatro municipal de Araraquara que estava em processo de restauro e como tal, interditado. No entanto, o seu exterior Neo Brutalista tinha todos os motivos para serem desenhados, de todos os ângulos e mais algum. Dei aqui um mini workshop de como simplificar as formas deste complexo conjunto a fim do nosso cérebro não "fritar" enquanto tentamos organizar o encadeamento do nosso desenho. 

Depois foi tempo de rumar ao Espaço Arte para o primeiro Drink and Draw do Encontro. Um espaço que é um armazém transformado em escola de Música com um ambiente meio Noir- Vintage bem convidativo para o Drink, Talk and Eat... 
 
O final de tarde/noite culminou numa actuação musical que foi uma espécie de Jam session de música tradicional brasileira (da boa, não aquelas "pimbalhadas" de novela barata) num ambiente bem intimista liderado pela Kris Pires na Guitarra e Voz.
 
No dia seguinte começavam os workshops da semana e eu até tive uma 2ª feira bem descansada onde apenas dei uma palestra para os professores locais em conjunto com a minha colega Olga Neves. Um ambiente bem descontraído onde falámos sobre o ensino em Portugal e os problemas que temos ao lidar com os alunos. Diferentes da realidade/escala brasileiras mas ainda assim, todos se mostraram surpreendidos por não serem os únicos a pensar que só ali é que existem problemas e carências na educação. Da parte da tarde, juntámos um pequeno grupo e fomos para a Praça Pedro Toledo desenhar numa divertida sessão liderada pelo António Bártolo que fez uma demo de aguarela para todos nós. Por entre o arvoredo, fios e telhados, a Igreja Matriz eleva-se dominante à medida que o sol descia (bem cedo, as 18h já era noite!) 

A noite fomos para o auditório da UNIARA ( Universidade de Araraquara) onde iria dar início à XXI semana da Arquitectura e do Urbanismo liderada pela Prof. Dra. Sálua Kairuz coordenadora do curso de Arquitectura e Urbanismo (à direita com o microfone). A palestra inicial foi a do André Baptista que na condição de arquitecto da Câmara Municipal de Torres Vedras e coordenador do projecto de recuperação da Encosta de São Vicente, foi falar dos desafios de como levar a cabo um projecto desta envergadura e a importância do desenho à mão como ferramenta de análise e projecto de todo este processo. As imagens de Torres Vedras que iam passando nos slides acentuavam ainda mais as minhas saudades de casa, que estava bem longe há quase 5 dias... 

12 junho, 2018

Torres Vedras - Araraquara II

 ...No dia seguinte bem cedo, apanhámos o "ônibus" até ao Assentamento da Bela Vista. O equivalente em Portugal a uma AUGI (Área Urbana de Génese Ilegal) mas no campo, iniciado pelos trabalhadores sem-terra das grandes culturas locais. É um povoado organizado dentro da sua aparente desorganização espacial e acima de tudo, é um local honesto que não tenta parecer algo que não é. A autenticidade e simplicidade do lugar e das suas gentes é nos presenteada assim que damos os primeiros passos na rua de terra batida e tom avermelhado. 

Depois de uma mini-palestra do André Baptista sobre o Lugar e o Património e como os podemos transportar para os nossos cadernos, foi tempo de fazer uma rápida visita pelo local e despojarmo-nos de preconceitos para o podermos desenhar em conformidade. Somos atraídos por uma ruína à distância que nos convida a desenhar e mais ainda porque a nossa anfitriã efectivamente nos convida a ouvir a grandiosa história daquele casarão que testemunhou glória, riqueza mas também pobreza, sofrimento e ausência de direitos. Já lavada em lágrimas (genuínas e comoventes), Silvani tocou no assunto mais discutível dependendo da nossa visão política: "normalmente as pessoas vêm cá para conhecer a história do poderoso dono das terras, a história da família e do casarão, dos negócios e da política e esquecem-se do essencial - os escravos e os sem-terra que muito sofreram nas mãos dos senhores"  Aqui, e deixo a ressalva de compreender a 100% as lágrimas sofridas da Silvani, não posso deixar de opinar com algum lado de direita que houve mérito numa pessoa que largou tudo e investiu o que tinha e não tinha para construir tudo aquilo e dar trabalho a outros... No fundo é tudo uma máquina que precisa de engrenagem e uns não podem viver sem os outros e vice-versa. Se há trabalhadores a lutar por melhores condições é porque primeiro surgiram postos de trabalho e isso também é louvável. 

A vista sobranceira para os campos de café que outrora presenciaram os abusos descritos acima não deixa de ser notável e só nos restava pensar no Poderoso Barão a observar os seus escravos e a dizer para o seu herdeiro: "Filho, um dia, tudo isso será seu..." Este desenho foi feito na companhia do António Bártolo que para além de ser prodigioso no seu talento, é um mentor fantástico que nos dá sempre uma dica ou outra que fazem realmente a diferença e tudo isso com grande generosidade. Juntamente com o Simon e o Nelson, estes dias iniciais foram  no mínimo hilariantes e mega descontraídos! 

Diz a lenda que este casarão está assombrado e isso tem atrasado a sua recuperação (para além do assombramento mais comum, a falta de fundos) e na verdade, quando tirei fotos desta perspectiva para acabar a cor mais tarde, reparei que a foto estava com uma anomalia de luz num dos cantos. A Silvani veio a confirmar que todas as fotos que se tiram deste casarão são invadidas pelo tal fantasma! Sim... tirei uma foto a um fantasma, mas não o desenhei que aqui so entra quem eu quero... 

Pouco antes do final do Encontro, pude desenhar no meio da rua uma vez que os carros eram poucos, (passaram dois por mim em 15 minutos de linhas) enquanto conversava com alguns moradores que iam passando por nós com a natural curiosidade de ver o que estávamos a fazer. As conversas passavam sempre pelos problemas do país e da localidade e o espanto das pessoas quando eu "ripostava" que em Portugal também temos alguns desses mesmos problemas. O ar surpreendido e algum descanso era comum a todos, por perceberem que não estavam sozinhos no mundo e que muitas mais pessoas (infelizmente) têm problemas semelhantes. Tudo isto com o sotaque Brasileiro porque se eu falasse em PT-PT ninguém percebia absolutamente nada... 

11 junho, 2018

Torres Vedras - Araraquara I


Em Novembro passado tinha recebido um convite especial do Lauro Monteiro, o de integrar uma comitiva Torriense para rumar até Araraquara, no estado de São Paulo, Brasil, a fim de continuar com a parceria político-cultural que tem juntado as duas cidades nos últimos 4 anos, na altura em que o Projecto Arte ao Centro quebrou fronteiras e navegou o Atlântico. Ás 8:00 de 17 de Maio, eu carregava um misto de emoções ao rumar para o Aeroporto Humberto Delgado. Se por um lado estava entusiasmado pela ideia de conhecer outro continente, outro país, uma cultura diferente e ir para um lugar longe da pressão turistica; Por outro estava nervoso e já com saudades de casa e da família. Iriam ser 12 longos dias sem a esposa e a filha e isso corroía-me por dentro à medida que o A330 da Azul se afastava de terras Lusas. Desenhei o que pude com a pouca vontade que tinha: O André ao meu lado fazia o mesmo com um semblante carregado e cansado tal como eu estava; A Olga ao meu lado fazia o que eu gostaria de ter feito, dormir que nem uma pedra; A Cátia explorava o que o seu telefone lhe permitia em "Flight Mode"... 


Após um combinado de 18 horas de viagem, só deu tempo para comer uma sopa e ir directo para minha cama na minha morada dos próximos tempos: Araraquara. No dia seguinte, após montarmos a exposição dos artistas de Torres Vedras na Casa da Cultura, eu, o António Bartolo, o Simon Taylor (Curitiba) e o Nelson Polzim (Rio) fomos para a Praça da Matriz para fazer uns riscos. O que me espanta nesta cidade tal como em muitas cidades Brasileiras, são os cabos de electricidade/telecomunicações, com uma espessura de "fiamento" que por vezes ultrapassava 1 metro! As sombras que toda aquela parafernália projectava nos edifícios no final de tarde, era qualquer coisa de fantástica e isso era algo que eu teria de desenhar.  


A Igreja Matriz surge na praça, pelo meio de uma mini Selva Urbana e quase que fora de escala, pois a sua dimensão VS largura da Praça são do mais desproporcional que já vi. Claramente uma construção nova sobre uma pré existência que tal como se faz em Portugal, deita abaixo edifícios icónicos lindíssimos para dar origem a elementos de gosto enfim, duvidoso... Ainda assim, uma imponência destas tornada ex-libris da cidade, era algo que não poderia faltar no meu caderno. 


No dia seguinte acordámos bem cedo para o inicio do Encontro de Desenho de Rua (acho esta expressão nacional bem mais elegante) onde os participantes iriam fazer "croquis" do Parque do Pinheirinho, bem longe da confusão da cidade. Fomos baptizados (mesmo...) por uma tempestade tropical, com uma chuva vinda de umas nuvens como eu nunca tinha visto antes, pelo que tivemos de nos abrigar para ver o Mestre António Bartolo em acção na sua primeira demo/workshop. A água caia com uma força desmesurada que nem o abrigo chagava para nos proteger devidamente. A areia em torno do lago depressa virou terra cada vez mais encarniçada que volta e meia reflectia o céu branco e cinza. 



À primeira aberta, fugimos para a capela mas nem assim conseguimos escapar ao frio e algumas gotas de água que insistiam em cair sobre todos. Desenhei aqui o que era possível ver, o arvoredo e algum mobiliário urbano na distância. 


Depois de almoço e quando a chuva deu tréguas, fomos até a belíssima fazenda do Salto Grande onde orientei um rápido workshop/encontro de desenho demonstrando a técnica que costumo usar de poucas cores e altos contrastes. Aqui desenhei um dos casarões que outrora hospedava barões de café e hoje hospeda os milionários que estão dispostos a pagar milhares de Reais por dia. 

Continua... 

12 março, 2018

Um ano depois...


Um ano depois do falecimento precoce do meu tio, a sua presença na nossa casa e em todos os eventos familiares ainda é fortemente presente e deixa muitas saudades. Uma pessoa de carácter forte, marcante, que se fazia sentir em quaisquer circunstâncias deixa um grande vazio nas vidas que tocou. Hoje em dia a dor não é tanta e a vida segue o seu rumo normal, mas no fundo ainda custa acreditar que ele partiu...


Para celebrar a ocasião a família tem de fazer aquilo que ele mais gostava que é um grande ajuntamento no Casal do Facho que sucedeu esta ida à missa do Varatojo que alguns de nós precisam por acreditarem que ele está neste momento num local melhor. Esta lindíssima Igreja fica inserida no Convento do Varatojo que está ao serviço da Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos. A missa for presidida pelo Pe. Vitor Melícias (que ja tinha presidido a missa do 7º dia, um padre que o meu Tio adorava), um Franciscano que voltou à sua terra para fazer o que faz melhor e devo dizer que é um prazer ouvi-lo falar pois acrescenta sempre uma boa pitada de info útil não fazendo apenas as leituras monocórdicas que caracterizam a Eucaristia Dominical. É como ter uma espécie de Cristiano Ronaldo a terminar a carreira no seu clube de coração, o que confere a esta igreja, algo de ainda mais especial...

01 fevereiro, 2018

Serra da Estrela & Casegas

 No último fim de semana de Janeiro, juntei amigos e família e fomos até à Serra da Estrela para ver os miúdos divertirem-se na neve! Estava era um vento descomunal e o aparente Sol limpo cheio de Sol era uma armadilha que nos gelava qualquer parte do corpo que não tivesse roupa. Fiquem sem cara e sem mãos ao fazer este desenho... Os miúdos ficaram com tanto medo que tiveram de ir para o carro enquanto os adultos se iam revesando para fazer ski, sku, qualquer coisa que consistisse em escorregar pela neve e espalhar ao comprido no fim.

 Depois da brincadeira, fomos até à nossa estadia, numa casa já bem mais quente na aldeia de Casegas. Para chegar até lá, foi um filme, uma vez que fomos vítimas do GPS que supostamente nos deu o caminho mais rápido... pois. Uma hora e meia e quinhentas e setenta e duas curvas depois, chegámos... completamente de rastos. Enquanto a totalidade da população estava na missa das 17h, nós passeávamos pelas ruas desertas e pitorescas deste sitio bucólico. A igreja invulgar foi parar ao meu caderno que retém também os cânticos da missa que se ouviam na perfeição no exterior.

No dia seguinte, antes de voltarmos para casa, deixámos os miudos gastar as últimas energias no parque infantil à beira rio, adornado por árvores, verdes, patos, gansos e uma bela ponte romana no fim do açude. Foi óptimo descobrir mais um pouco do nosso país, nesta região do interior que vou começar a explorar bem mais.

29 janeiro, 2018

Intervalos para almoço

 Conseguimos resgatar a "nossa" parte da esplanada que tinha sido tomada de assalto pelo Irish & Co. do Largo Duques de Cadaval. A quantidade de chapéus de esplanada neste local é de tal forma que  na parte onde nos costumávamos sentar, torna impossível qualquer vislumbre do sol,  que durante o Verão ainda se tolera, mas de Inverno, bem que sabe tomar o nosso café banhados de raios UV  em quantidades saudáveis.  

We manage to rescue our spot back from the grasp of Irish Co bar, in Largo Duques de Cadaval. The huge amount of shades was a nuisance, blocking our sun and view from the terrace we were allowed to sit. During Summer it's ok, but during cold Winters, we need UV rays with our coffee... 

 Há vários motivos para desenhar na parte de baixo da esplanada, especialmente porque temos uma amplitude de campo bem maior e os ditos chapéus de sol não bloqueiam a vista...

In the lowest spot of the terrace we have a larger field of view and no umbrellas blocking the view, so we can sketch whatever we can...

...e desta forma consegui vislumbrar uma vez mais o recorte dos telhados e águas furtadas , confortavelmente sentado numa cadeira, com os pés na guarda em frente e café na mesa, à esquerda. Apesar do frio, o Sol é tão intenso que as tonalidades quentes da cidade de Lisboa são uma constante, mesmo sem estarmos no calor tórrido de Verão.

...and so I managed to see once again the beautiful rooftops that surround this place, comfortably seated on a chair with coffee on the table. Even with low temperatures, the sun light is so intense that warm shadows are still present, even outside the warm seasons.

Apesar de ser uma coleção de desenhos de motivos que já desenhei vezes sem conta, a minha aproximação e sentido de descoberta é sempre novo, óptimo para aqueles dias que estou tão preguiçoso (quase todos...) que não me apetece andar nem sequer 20m para desenhar o que seja. 

Even though this is the same place, that I've drawn countless times, my approach is always new, providing me a fresh sketch every time, specially in those days that I'm to lazy to walk 20m to do a sketch.

Na parte de baixo, a esplanada é praticamente nossa, caso a ocupemos a uma hora "morta" claro. Depois de devidamente ocupada,  podemos falar e estar como bem nos apetecer,  dispondo as cadeiras e mesas a nosso bel-prazer e em várias ocasiões, esticar os pés de forma a ocupar aquela cadeira que ficou vaga porque um colega se levantou para voltar ao trabalho. Desde Star Wars, olhares enterrados em jogos de telemóvel e conversas sobre Bit coins e fundos de Investimento, tudo fica registado nestes cadernos... 

The lower tier of the terrace is basically ours, if we can manage to take it during "dead" hours of course. After that, we're home and we can arrange furniture, talk loud, do almost whatever we want. From Star Wars, to staring at the phone the whole time, Bit coin and investment funds, everything is record in my sketchbooks...