27 setembro, 2016

O mercado visto de cima (TUTORIAL)


Depois de mostrar este desenho ao grupo de sketchers que me acompanhava neste evento do (A)riscar o Património, todos mostraram algum espanto pela complexidade desta perspectiva. Iniciou-se ali uma tertúlia para desmistificar a perspectiva e mostrar que não é tão difícil assim... Antes de continuar, lanço a provocação para os teóricos da perspectiva, os matemáticos e pessoas que só sabem mandar farpas: Eu encaro o desenho como arte e não como matemática. Eu desenho em cadernos para me descontrair e soltar o meu traço e não para me aborrecer de tédio... Eu sigo umas breves regras para que o desenho mostre alguma coerência mas não passa muito disso. E são essas breves noções que eu pretendo explicar aqui, especialmente para os sketchers com quem tive o prazer de ter a tal tertúlia no final do evento.

Começo por dizer que assim que olhei para esta vista, pensei em fazer uma perspectiva simples com um ponto de fuga onde está o F2 mas depois pensei... porque não complicar?

After showing this sketch to the fellow sketchers at the event "Heritage Sketching", they seemed amazed with the complexity of this scene and immediately we started a brief talk about perspective to show that it's not so difficult as it looks...  Before I continue I'll take the opportunity to provoke all perspective addicts, mathematicians and people that usually comment just to bash someone: I see drawing as an art form and not as a math. I sketch to relax, not to get bored... I just follow a brief set of rules so the sketch has some consistency but not much more than that. This example is to try to explain those simple rules. 

Once I looked at this scene, I quickly thought to do a simple scene with one Vanishing Point (F2) but then I asked myself... Why not complicate things just a bit?  



E foi então que comecei a distorcer as verticais criando o ponto F3, mantendo o as linhas paralelas ao meu sentido do olhar com o ponto de fuga em F2. Para dar mais dinamismo ao desenho, resolvi curvar as linhas perpendiculares ao meu olhar com pontos de fuga em F1 e F4. Claro que o desenho tem erros, até porque foi sendo pensado à medida que o ia fazendo e foi feito um pouco rápido porque estava a ser chamado para o almoço... Acho que foi por isso que passei a gostar deste desenho, por conter fluidez, energia e alguma ousadia, directamente proporcionais ao tempo de execução.

Espero que gostem e que vos seja útil. Sintam-se à vontade para comentar, criticar e para esclarecer dúvidas. Responderei a todos assim que puder...

So I started by distorting the vertical lines into F3, keeping parallel lines to my sight line converging to F2. To give more dinamism to this scene I curved all perpendicular lines with VP in F1 and F4. This sketch has errors, mostly because it was conceived as I kept going with it. That's why I love it so much... tt has energy, it's fluid and a certain degree of complexity matching the brief period I spent doing it... 

I hope you like it and hope it's useful. Feel free to comment and to ask questions, I'll ask as soon as I can... 

(Pardon my English...) 

4 comentários:

  1. Gosto muito! Obrigada pela explicação.

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  2. Ficou ótimo. Muito dinâmico. Parece-me que muitas vezes são os desenhos feitos à pressa que se tornam melhores. Será porque as nossas expectativas são menos altas?
    Obrigada pela explicação bem clara.

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  3. O essencial é mesmo o prazer em desenhar. Mas foi muito útil perceber a descontrução da perspectiva.

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  4. 4 pontos de fuga em um só desenho... UALLLLL.
    IMPRESSIONANTE...
    Que visão espacial bestial...
    Vou aprender muito por aqui rsrsrs já percebi isso de cara...
    Parabéns pelo incrível trabalho...

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