09 abril, 2016

Um ano a desenhar para o futuro

Soltar o traço, foi este o mote para o meu workshop na Casa-Atelier Vieira da Silva, a convite do Eduardo Salavisa. O objectivo não era dar grandes lições de perspectiva ou de composição mas sim algo bem mais básico e quiçá essencial: "Atacar" o desenho sem medos com uma linha solta e expressiva, uma espécie de partir ovos para fazer a omelette...



Nas 3 horas que antecederam esta foto, eu falei na importância que a linha solta tem no desenho e que ela deve fluir da mesma forma que escrevemos um texto: Nós não estamos a pensar em como desenhar as letras mas sim no que queremos realmente transmitir... Fica aqui o resumo desta oficina:

1ª Questão: Quando escrevemos no quotidiano, estão preocupados em desenhar as letras ou apenas com o conteúdo, o que querem registar e transmitir?

Esta é das primeiras questões que se deve ter em conta quando estamos a iniciar o caminho do desenho e perceber que o desenho é comandado pelo nosso cérebro e não com a habilidade ou destreza que temos com as mãos. A escrita, após alguns anos na nossa vida torna-se um processo automático, em que o nosso cérebro apenas pensa no que queremos expressar e as nossas mãos agem quase por instinto. No ínicio, quando estamos a aprender a escrever, começamos devagar, aprendendo o desenho das letras, a conjugação das mesmas; escrevemos letras grandes para percebermos bem a movimentação que temos de efectuar para a desenhar e só depois de muita prática, atingimos o automatismo que temos actualmente. No desenho, o caminho é idêntico, na medida em que primeiro devemos aprender a dominar os elementos constituintes do desenho: Ponto, Linha e Mancha. O objectivo deste workshop prende-se com a linha e para a soltar, primeiro temos de ter em conta que o nosso braço consegue uma amplitude fantástica de movimentos e devemos usá-la em folhas grandes e com um material que não nos “intimide” ou seja, o lápis, por ser barato e por ter uma gama infinita de espessuras que nos permite uma linha de busca antes de carregar na linha final.

1º Passo: A par do diário gráfico, ter o hábito de desenhar em folhas grandes usando sempre material BARATO para perder o medo de “estragar” material. Desenhem TUDO o que estiver à vossa frente, todos os dias.

Pensando que andamos em média 12 anos na escola e se passarem 4h do vosso dia a escrever, acabamos o ensino básico com 17280 horas passadas a “desenhar” letras em cadernos de 1€ com canetas de 0,80€. Podemos transpor isto para o desenho e concluir que depois de tanto tempo:

  1. Domínio completo da nossa mão sobre o papel;
  2. Atingem o tão esperado “automatismo”;
  3. Perdem o medo de desenhar o que for, quando for, onde for;
  4. Constroem uma biblioteca visual sem paralelo;
  5. Gastaram pouco dinheiro num vício saudável;

2ª Questão: Como fazer um bom desenho? O que um bom desenho deve conter?


E aqui começaram os exercícios no sentido de responder a esta eterna questão... 



Nesta primeira série de exercícios o objectivo era fazer um BOM desenho num lado da folha durante 5 minutos e no outro lado, o mesmo desenho mas em MAU durante 30 segundos, a lápis com a mão totalmente levantada sem pousar no caderno. Esta é a Maria Celeste que ficou sem par e como tal, desenhamo-nos mutuamente. Reparamos pelos meus desenhos que o MAU desenho tem uma linha bem mais forte e vincada, resultado da observação obtida nos 5 minutos do desenho feito antes...

Depois fomos para a rua, fazer este mesmo processo. Em baixo os meus desenhos feitos antes do workshop dos locais eleitos para o exercício. 


Relembro a todos os que participaram neste workshop, que estou disponível para esclarecer dúvidas via e-mail por isso, disponham. 

O meu e-mail: stillsketch.tvedras@gmail.com

Muito obrigado a todos! 

6 comentários:

  1. Grande lição master! Excelente, o paralelo com a escrita Tenho pena de não ter lá estado. Em vez disso, apanhei um escaldão em Portimão ;) Abraço

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    1. O que ensinei já estás deserto de saber ;) Acredito que o sol de Portimão tenha sido bem melhor que a chuva das Amoreiras ;)

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  2. ...quando escrevemos manualmente só pensamos na ideia a registar...
    ...será que o traço se pode tornar automático e ao desenhar só pensar na ideia global que o nosso olhar nos transmite ?

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    1. Pode Maria Celeste, claro que pode, e não há segredos para o conseguir, basta praticar a toda a hora ;)

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  3. Não estive e tenho inveja de quem esteve. :)
    Que interessante também a comparação entre o bom e o mau desenho. Sem medo do mau pode realmente chegar-se ao bom (ou ao melhor, pelo menos, eheh!)
    Parabéns pelo workshop e pelo reconhecimento tão merecido que ele representa.

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    1. Obrigado Miu. Tentei fazer o resumo do workshop o mais fiel possível para que todos o possam fazer, experimenta ;)

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